Agradeço ao jornalista e professor doutor Romildo Sant’Anna, diretor do Museu Primitivista José Antonio da Silva e meu colega na Academia Rio-pretense de Letras e Cultura onde é titular da Cadeira de No 1,o artigo por ele publicado no jornal Diário da Região, que muito me emocionou.

O Arquivo Municipal disponibiliza, em coleções digitais, todos os jornais editados em Rio Preto. Saudações merecidas se expressam no editorial ‘Respeito à Memória’, de 12.09.2019, do Diário da Região. Realço uma publicação semanal que poderia passar despercebida e, decerto, não será, acreditando-se na argúcia de tantas e sensíveis pessoas engajadas no grandioso projeto e, em especial, Fernando Marques, o diretor do Arquivo Público Municipal. Refiro-me ao The Journal.

Há os que inda veem o colunismo social como um gênero menor, insignificante. Bobagem. Raros são os jornais, grandes ou pequenos, que não dediquem páginas à Crônica Social. Nasceu nos Estados Unidos dos anos de 1930 e 40. A enfocar o glamour e aventuras notívagas das celebridades (lembremo-nos do romance ‘O Grande Gatsby’, de Scott Fitzgerald), tinha o dom de erigir pessoas à glória ou destruir carreiras. Logo se abrasileirou nas notas cordiais de Jacinto de Thormes (pseudônimo do carioca Manoel Müller), no humorismo afiado de Ibraim Sued e na escrita leve de Zózimo Barroso. Por aqui, sobressaíram, entre outros, Cesar Muanis, Nenê Homsi, Amaury Jr., Cida Caran, Magaly e Frederico Tebar, Paulo Becknetter… e Waldner Lui.

Há tantas décadas, muitos que leem a crônica do advogado, ex-secretário de cultura e jornalista Waldner Lui, mormente no semanário ‘The Journal’, percebem a inteligência veloz, apurada cultura, o estilo cortês e honestidade com que se refere aos fatos e às pessoas. Suas notícias e observações sucintas, dicas culturais e artísticas são objetivas, estimulantes, indissociáveis do rigor de pensamento e ausência de frases esnobes do discurso ornamental e do falso brilhante.

Atuante por um quarto de século, o ‘The Journal’ moldou comportamentos, aguçou o senso de elegância e refinamento, participou da transformação urbana com críticas incisivas aos erros e acertos da gestão pública. Prodigioso frasista, Lui tem sempre uma nota cuja clave é seu instinto criativo, perspicaz e arejado. A transitar diligente e afável dos estratos mais simples à chamada “high society”, acumula uma fortuna de admiração e saberes que se mesclam à persistência e profissionalismo.

Jornalismo é elegia a Cronos, o deus-Tempo, esse corcel a trotar incansável na tela do infinito. Carrega as surpresas dos dias e seu labor, ócios e negócios, infortúnios do destino, perdas e conquistas, avenças e desavenças. Se tomarmos o colunismo social de Waldner Lui na imprensa rio-pretana, e notadamente no ‘The Journal’, teremos a descrição realista dum povo e seus atributos. Correlatos ao que sucede nos jornais diários, lá estão, nas linhas, entrelinhas e fotografias, acontecimentos que formatam a Nouvelle Histoire ou a História da Vida Privada: nossa presença no tempo, relatada em flashes e minúcias do cotidiano.

 



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